Review: Matanza - Odiosa Natureza Humana

15/03/2011

Review: Odiosa Natureza Humana

Ficha Técnica


Álbum: Odiosa Natureza Humana
Banda: Matanza
Gênero: Country-core, hardcore, rock nacional
País: Brasil
Lançamento: 2011
Comprar: Loja oficial 
Download:
Post Matanza: The Darks
Reviewer:
Pedro


Bem-vindos á primeira review do The Darks Metal Blog! \o/
Se tudo correr bem daqui pra frente, essa postagem 'funda' uma nova seção no blog, na qual escreveremos sobre alguns de nossos CDs favoritos (ou não!), fazendo recomendações e dando nossas opiniões sobre os álbuns aqui do blog. Ainda não recebi o aval do Samuel (Dark, para os menos íntimos) pra fazer uma merda review dessas, mas enfim, tô fazendo. Vamos ao que interessa, então! :D

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Depois de cinco anos sem lançar material novo, o Matanza lançou seu quarto disco de inéditas. Ao todo, este é o sexto lançamento da banda, se contarmos o DVD ao vivo e o álbum-tributo ao lendário Johnny Cash. Gravado no período de três dias, em um estúdio completamente analógico, Odiosa Natureza Humana é uma amostra completa do que a banda tem a oferecer. Assim como em seu último trabalho, "A Arte do Insulto", o Matanza está de saco cheio. De tudo. Das pessoas do mundo, da rotina, até mesmo dos companheiros de bar, mas ainda assim o CD tem o alívio cômico no melhor estilo "Santa Madre Casino", além de algumas faixas mais "normais", se é que alguma música deles pode ser classificada como normal, como algumas das músicas de "Música Para Beber e Brigar". Enquanto a primeiro olhar o álbum apenas aparenta ser um "A Arte do Insulto II", algumas músicas revelam-se com refrões rápidos e cantantes a-la-Eu Não Bebo Mais.

Abrindo o disco está o primeiro pé na porta e soco na cara. Remédios Demais não demora para cair em um riff genial do (igualmente genial) guitarrista Donida, com uma melodia hardcore que é subitamente cortada com a chegada dos vocais de Jimmy, que esbraveja "era pra frear e eu acelerei, era só desviar mas eu nem tentei, passei por cima de seis!", dando um aviso de como as coisas vão ser daqui pra frente: violentas. Se o riff inicial não lhe lembrou de "Meio Psicopata", a letra vai dar conta do recado, falando do ponto de vista de um assassino que "toma remédios demais e já está vendo o mal que isso faz". Em Respeito ao Vício mantém o nível alto e apresenta a primeira letra com tema cínico e misantrópico do álbum. O refrão foge um pouco á regra do ritmo que a música segue, o que o torna extremamaente viciante. Chega a ser difícil não cantar junto: "mundo horrível, gente desprezível, a quem vou me justificar?". Em contrapartida, uma canção de amor ao melhor estilo Matanza. Ela Não Me Perdoou nos leva aos bons tempos de "Bebe, Arrota e Peida", com uma batida quase que irlandesa e uma letra satírica que aclama a bebida e os amigos nos momentos mais difíceis da vida amorosa. Afinal, quem é que nunca se sentiu assim? Jimmy, nesta letra, leva pedradas e vê o fracasso de todas as suas tentativas de reconquistar sua amada, mas acaba sozinho, com seus amigos, afirmando "tudo bem, porque não faz a menor diferença no fim. Tenho amigos que gostam de mim, que não vão se importar se eu ficar com a garrafa de gim só pra mim". Com um forte apelo na letra e um ritmo descontraído, esta é uma das músicas que irão fazer o público pular ao vivo.



O Matanza se encontra em uma situação confortável no mercado. Eles têm uma fanbase sólida, fazem um show que vende bem sempre, além de vender uma quantidade aceitável de álbuns. Tendo isto em mente, não acho que vá existir uma superprodução para o Odiosa. Talvez não tenhamos uma "Ela Roubou meu Caminhão" ou uma "Pé Na Porta, Soco na Cara", com clipes superproduzidos, mas se a banda resolvesse lançar algo do gênero, Escárnio é, provavelmente, a faixa com mais potencial. Essa música difere muito das outras, talvez por ser a única que não foi escrita por Donida. Enquanto a maioria das outras músicas baseia-se na batida irlandesa/country, e outras em um ritmo hardcore, Escárnio tem uma batida que não se repete em nenhum outro lugar do álbum, além de uma letra extremamente inteligente de Jimmy, completamente irreverente mas ainda assim diferente das outras, falando de pessoas falsas e "estrelas": "Tudo brilha, tudo é lindo [...] você um sábio, milionário, um malandro poderoso [...] o problema é que no fim vem a conta, o problema é que no fim tem que pagar, o que mata é que o garçom tem um tridente e vai ter a eternidade pra cobrar!". Viciante ao extremo! Tudo Errado entra já com um riff estrondoso e um instrumental de peso que logo dão lugar para um jogo de palavras praticamente falado por Jimmy. A letra, por sua vez, é irreverente, lembrando em muitas partes a clássica "A Arte do Insulto", não só a música, mas a arte do insulto em si, como o vocalista descreve em suas entrevistas. A música segue assim, com um refrão que não é cheio de xingamentos ou misantropia, mas resume um tipo de sujeito imbecil bem ao estilo Matanza. Voltando ao Matanza misantrópico, temos Saco Cheio e Mau-Humor. Letra inteligente, ritmo legal, mas não é algo ao nível de outras faixas impressionantemente boas no CD. É algo pra ouvir, se identificar na letra, mas definitivamente não é um dos pontos altos do disco. Chega de misantropia? Não! Na verdade, o refrão da próxima música até usa a palavra! Odiosa Natureza Humana, a música que dá nome ao álbum, é uma música que "cresce", que leva algumas vezes para se acostumar e se apreciar de verdade. Assim como "Em Respeito ao Vício", tem um refrão que aparece de um jeito legal nos versos e tem o ritmo alegre do Matanza nos versos a seu favor. A letra? Genial! Afinal, o que mais pode se imaginar de uma música com esse nome? 

As letras sérias e de saco cheio do Matanza não ficam muito tempo em uma música "animada". Logo depois, chega Amigo Nenhum, contando mais uma das historinhas da banda, num clima parecidíssimo com "O Caminho da Escada e da Corda", do penúltimo CD. Assim como "Saco Cheio e Mau-Humor", não é uma das melhores do álbum, mas tem uma letra muito boa e um ritmo legal. Novamente, a banda não decepciona mas deixa o disco com alguns "enche-linguiça". Bem, pelo menos são bons! Falando em "bons", Conforme Disseram as Vozes é uma daquelas que você se apaixona na primeira vez que escuta. Da entrada de bateria, passando pelos versos acelerados e as paradas a-la "Remédios Demais" onde só Jimmy canta, essa música é um dos pontos mais altos do CD, sem nenhuma discussão. Pra variar, a letra é psicopática e insana, onde o personagem é comandado por vozes de dentro de sua cabeça, que o ordenam para "passar uma mensagem" explodindo um shopping. Clássico instantâneo! O mesmo ritmo empolgado perdura em Melhor Sem Você, um hino ao término das relações. O personagem agradece por não ter mais compromisso ou coisas a explicar, mostrando o lado bom do término de qualquer relação: "eu não tenho ninguém me esperando, não tenho mais nenhuma relação pra discutir. Hoje as coisas são como devem ser e você mesma pode ver que minha vida vai bem melhor, baby, sem você." Assim como algumas outras músicas nesse CD, a letra é completamente relacionável - o que é raro na carreira do Matanza - e o instrumental é viciante e rápido, o que fez Jimmy classificar a música como algo "meio Green Day". Não se deixe enganar, porém, "Melhor Sem Você" é completamente Matanza, e merece destaque no álbum.


Até agora, as músicas mais lentas não tinham muito destaque. Novamente, até agora, já que chegou a hora de falar sobre A Menor Paciência. Esse é o hino de qualquer um que tenha passado algum tempo tendo que fazer algo/ter alguém fazendo algo que não se gosta. Pra quem está de saco cheio, mesmo. Isso faz dessa música a mais relacionável do álbum, o que mostra que somos todos um bando de ogros mas que se foda. Porque eu já não tenho a menor paciência pra ser educado! Enfim, entrei demais no clima da música. Não tem muito potencial pra ser tocada ao vivo, mas daria um ótimo clipe. O instrumental é sólido, calmo e os vocais de Jimmy não estão forçados demais, tornando uma ótima música pelos seus quatro minutos de duração (o que é longo pra uma música deles, convenhamos!). Fechando o álbum em grande estilo, a "Eu Não Bebo Mais" do novo álbum: O Bebum Acabado. O começo, os versos podem enganar pelo vocal falado, mas a bateria a-la "Bebe, Arrota e Peida" entrega a música desde o começo. Quando o refrão entra, só nos resta cantar junto mais um dos hinos de bebum do Matanza, que entra de um jeito parecido com "Quando Bebe Desse Jeito". Comparações com outras músicas normalmente não são tão boas, mas nesse caso, bem... é o Matanza sendo o Matanza divertido que já não aparecia desde 2005 no "Música Pra Beber e Brigar" em uma música com guitarras. Essa vai fazer estrago ao vivo, dá pra dizer isso com certa margem de certeza. "Não me importo com a fama de bebum acabado, não me importa o tempo que falta pro fim! Soube que saí mais uma vez carregado e mesmo com a chuva eu dormi no jardim! Já estou acostumado a ser mal-tratado por mim!" - Já dá pra ir decorando. Vai precisar.

Em suma, o Odiosa não é perfeito, assim como os outros trabalhos do Matanza, mas mostra uma banda que evoluiu a ponto de juntar os estilos de todos seus trabalhos anteriores em um trabalho só. Na trajetória do álbum, o Matanza fica puto, não fica nem aí, fica louco a ponto de explodir um estacionamento, e fica bêbado, e essa mistura funciona muito bem, ainda mais com material novo e evoluído. O instrumental da banda está mais maduro, com riffs mais trabalhados e letras cada vez mais inteligentes (o que sempre foi um ponto muito forte na banda, que nunca se deixou enganar pelo tema de bebum) e a gravação analógica do álbum o deixa ainda mais pesado, cru... hardcore! Ou country? Talvez não exista uma definição exata para o som desse CD, mas a gravação certamente mudou a experiência. Não dando todo crédito a escolha do método de gravação, afinal, as músicas evoluíram também. E muito. Quem falou que não ia valer a pena, que não ia superar os outros lançamentos, mordeu a língua bonito! É MATANZA, PORRA! :)


E claro, se você ainda não conferiu, baixe já o CD aqui no The Darks:


 


/nemleu :P



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1 comentários idiotas - Faça um comentário, idiota.:

André disse...

Realmente MUITO FODA o album e o artigo também. Fui no show deles aqui em porto alegre e estava muito foda!!! ABRAÇO!